Resenha feita por: Tatiane Andrade
contato: tati@zonapunk.com.br
Fotos por: Marcel Nóbrega
contato: marcelnobrega@msn.com

Sempre é difícil resenharmos sobre algo desconhecido. Tudo fica muito mais fácil quando você conhece a banda, as músicas, é fã ou acompanha. Geralmente tudo conspira à favor e flui mais naturalmente. E dessa vez foi bem diferente! Conhecia muito pouco, ou melhor, quase nada, sobre Eyes Set to Kill. Ouvi no máximo três músicas da banda. Nunca vi vídeos ao vivo, vídeo-clipe, e nem baixei cd. Fui de primeira, sem muita informação! Apenas de que era uma banda screamo, do Arizona/EUA, com garotas no vocal, guitarra e baixo. Ouvia falar tanto da banda que fiquei bem curiosa em assistir ao show.
A apresentação rolou na Royal Mercúrio, em Santos, casa onde já rolaram shows de Fresno, For Fun, as gringas do The Donnas..e várias outras. O show foi bem divulgado, mas mesmo assim ainda não esperava que estivesse lotado ou chegasse à um sold-out. Vale frisar que a cena e shows em Santos são uma caixinha com mil surpresas.
O início estava previsto e divulgado para as 16h. Por ser um domingo, achei até coerente o horário. Tinta tudo pra ser um show sossegado e não muito cansativo pro público. Teria…
Cheguei na casa às 17h, já pensando estar atrasada. Mas para minha surpresa, casa ainda fechada, movimentação na organização, mas pouquíssimo público. O primeiro stress/desorganização do show foi logo na entrada. Não existia lista Zona Punk. Quando questionei à uma das organizadoras sobre lista com os ganhadores da promoção e equipe ZP, apenas fui informada de que não existia essa lista! Depois de muito anda pra lá e pra cá, liberaram a entrada.
Já eram quase 18h, quando a primeira banda começou a se apresentar. Com um duplo vocal screamo, sendo um deles feminino, a local Everystar Falls abriu a tarde/noite. Para um público muito pequeno, a banda utilizou-se de canções próprias, e levantou a bandeira metalcore.
Também com uma garota no comando, o post-hc da banda Lasívia, de Cubatão, deu sequência às apresentações. Caiu nas graças do público com um cover de My Chemical Romance, muito bem apresentado por sinal. Muita atitude em todos os integrantes, curti!
Com uma proposta totalmente avessa ao som e público chaves da noite, a terceira banda a subir no palco foi a Sasparrilla, de Santos. Explorando desde rock à MPB, o trio fez uma boa apresentação. As guitarras tem uma força tremenda, mas infelizmente, era visível o desânimo da galera presente, por não ser o tipo de som que a maioria ali curtia. O rock do trio não caiu muito bem nesta festa.
Ainda na pegada das bandas caiçaras, os meninos da In Memoriam, do Guarujá, foram os próximos. Com porte e presença de palco de banda grande, não deixou um minuto sequer a desejar. Vários amigos na platéia, que cantaram junto, e berraram mais junto ainda. Com um dos screams mais fortes da noite, à cargo de Raphael, o grupo fez uma belíssima apresentação. O ápice do show foi na música ‘Por tudo que virá’, uma das mais conhecidas pela galera local!
Abrindo espaço, agora pros visitantes, a quinta banda da noite foi a Skore, do Rio de Janeiro. ‘Tivemos alguns problemas de última hora e essa banda deixou de ser uma banda de rock, e se tornou uma banda de hip hop’. Com essa frase o vocalista abriu o show. De cara, uma intro com ‘Kiss’ à la Chris Brown, que foi rapidamente tomada pelo peso das guitarras e berros. Receptividade 1000% dos santistas, que sabiam várias letras na ponta da língua, interagiram lindamente com os caras, e vibraram muito, digo, MUITO. A quantidade de público era pequena, mas o bagunça e cantoria era enorme!
Bandeirão pendurado e mais uma visitante, pela primeira vez em Santos: Cardiac, de Campinas. Há uns 6 meses conheci essa banda, mas ao vivo foi a primeira vez. Fato: Ao vivo é muito mais forte do que no mp3. Os caras são insanos no palco. Pulam, gritam, berram, vibe gigante! E deu pra notar que a relação galera x cardiac foi demais, visto que a banquinha do merchan da banda foi um sucesso!
De volta à Santos, depois de quase 1 ano, os veteranos do Voiced foram a sétima banda, da longa noite de rock. Na platéia, vários fãs e fã-clubes, que acompanharam um set baseado quase por inteiro no cd ‘2º plano’ lançado em 2007, e muito curto, que não chegou à 6 músicas.
A discotecagem começou a rolar e muita demora na troca de palco também. Seria o Drive-in a próxima banda. Depois de uma confusão interna com questão de horários, começaram. Muita gente aguardava pela banda, diria que mais de 50% dos que estavam ali. Muita energia com a dupla Bruna e Gustavo (primeira vez na baixada sem dreads haha), como sempre. Show impecável, banda agradecendo a espera e carinho do publico, mas em questão de 30 minutos, no meio do show, começaram a cortar os microfones da banda. Além da galera, a própria não entendia muito bem ao certo. Por causa de todos os atrasos anteriores e pelo horário que já ultrapassava 0:00, praticamente ‘terminaram’ com o show da banda. Não preciso nem comentar que todo mundo se revoltou, inclusive a banda, que mesmo sem microfone, chamou a galera pra cantar junto e continuar. Mas não foi muito adiante, não! Depois de desligarem os mics e soltarem a discotecagem, a banda chamou a galera pro palco. Dito e feito. Quase todo o publico junto com o Drive-in, criticando, vaiando a organização e gritando ‘Drive-in, Drive-in’. Foi inacreditável, e uma pena. É triste dizer e acreditar que ainda role muito disso por aí, em vários shows, várias organizações e várias bandas.
Depois de toda a bagunça, a galera foi tomando a frente pra ver de perto Eyes Set to Kill. Achávamos nós que os problemas já haviam terminado, mas não foi bem assim. Depois de uma longa demora, aparece no palco um dos produtores da banda no Brasil, informando que um dos pedais do equipo tinha sido ‘roubado’, e sem o pedal novamente em mãos, a banda não realizaria o show. Um clima chato já tomou conta da casa. Sem sabermos o que rolaria..e depois de alguns minutos, novamente o produtor da banda: ‘A banda Eyes Set to Kill vai tocar. Mas deixando claro que só tocaremos em consideração ao público que está aqui, porque se fosse pela organização do show, nós não tocaríamos!’
Após todos os problemas, e quase 1 hora da manhã, a banda começou o seu show. Empolgada, o ESTK se apresentou para aproximadamente 300 pessoas. Um verdadeiro pocket-show. Não há o que questionar sobre a qualidade do grupo. Com Alexia Rodriguez no vocal melódico e Brandon Anderson nos screams, fizeram um show curtíssimo, que não chegou nem na metade do suposto setlist original. ‘Reach’ e ‘Darling’, que fechou o show, foram duas das músicas acompanhadas ao gritos por todos os fãs.
Guitarras perfeitas, bateria perfeita, linda voz de Alexia, sincronismo perfeito. Tudo pra ser um show perfeito!
Tínhamos bandas ótimas, local bom, público fiel..mas infelizmente, mais uma vez, uma organização péssima! E a baixada santista já está meio calejada disso. Pessoas sem experiência, comprometendo-se a produzir shows que fogem da sua capacidade de organização/controle. Vale ressaltar que produzir um show não é brincadeira. Você lida com público, banda, dinheiro, com muitas coisas. Se não está seguro ou não é experiente o suficiente, não faça! Fazer apenas pra se dizer ‘produtor’ não é a sacada, foge do espírito da coisa.
Infelizmente a vinda do Eyes Set to Kill em Santos foi assim, um tanto quanto conturbada. Mas mesmo com todos os obstáculos, a banda se mostrou profissional, e preocupada com os fãs. Não é qualquer banda que ignora contrato, e realiza um show pensando na galera! Certamente a galera curtiu e agradece!
Resenha disponível no site Zona Punk, lá você pode ver mais fotos desse show então, confira aqui
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